[COLUNA FAMILIA TEA] A “EXCLUSIVIDADE” NA ESCOLA “INCLUSIVA”, POR KÁTIA DE ABREU FONSECA

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Por Katia de Abreu Fonseca

Falar em escola inclusiva é falar em direitos, em diversidade e em respeito às diferenças. Mas é também reconhecer que, antes de o aluno com deficiência ser “incluído”, toda pessoa, é, por si só, única e, por isso, “exclusiva”.

Na escola, esse olhar para a exclusividade nos convida a perceber cada estudante não como parte de um grupo genérico, mas como alguém com uma história própria, com jeitos únicos de ser, de aprender, de desenvolver e se expressar. Isso vale para todos os estudantes, com ou sem deficiência. Quando falamos em exclusividade, estamos dizendo que ninguém é igual a ninguém, e, que é justamente nessa diferença que mora a riqueza da experiência educativa.

A escola inclusiva deve reconhecer as singularidades de cada um. Deve deixar de lado os modelos prontos e passar a escutar mais, observar com atenção e propor caminhos flexíveis. Deve entender que o que funciona para um estudante pode não funcionar para outro e que isso não é um problema, mas o ponto de partida para uma educação mais humana, mais justa, equitativa e mais potente.

Reconhecer a “exclusividade” é entender que as singularidades não atrapalham a escola, elas constroem as relações que constituem a escola. E que ajustar, flexibilizar, adequar, adaptar e inovar são verbos fundamentais para quem deseja ensinar e promover a aprendizagem significativa com respeito à dignidade de cada estudante.

Na prática, isso significa garantir os apoios necessários, conhecer os tempos de aprendizagem, as estratégias inclusivas, valorizar as vozes dos estudantes e criar um ambiente onde todos se sintam pertencentes. Significa perceber que cada estudante tem algo a ensinar e que todos aprendem mais quando as diferenças são acolhidas com empatia e compromisso.

A escola inclusiva com foco na “exclusividade” não trata todos da mesma forma, mas sim com equidade, pois considera que não é adequado oferecer o mesmo a todos, mas garantir o que cada um precisa, a partir de suas especificidades, para aprender e se desenvolver plenamente.

Educar para a inclusão, portanto, é educar com um olhar atento à pessoa inteira, e não focar o olhar a suas condições sensoriais, comportamental, intelectual, motora, dificuldade ou diagnóstico. É reconhecer que cada estudante é exclusivo e que é justamente por isso que a escola deve ser, também, aberta, plural, múltipla e transformadora.

Agradeço ao grupo Família TEA Bauru e ao Portal GPN pela oportunidade de escrever sobre um tema tão importante e pessoal. Falar sobre as barreiras na efetivação da inclusão no ambiente de escolar também um convite ao diálogo, à escuta e à construção de pontes mais humanas e inclusivas.

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